Finanças

Dívidas,isso afeta você?

Um cheque especial aqui, um consignado ali. No começo, eles pareciam inofensivos. Por um bom tempo, as coisas ficaram sob controle para o professor universitário Rubens Adorno, de 64 anos. O salário não era nada mal. Dava para viajar e pagar as contas. Até que um dia, não dava mais para nada.
Quando percebeu a gravidade da situação, já estava 
com 120% da renda mensal comprometida, contas em
 quatro bancos e cinco cartões de crédito. O total da
dívidas era 40 vezes o que ele ganhava. 
Com malabarismos, conseguia se manter em dia nos
 boletos e prestações.

 

 

“Chegou um momento em que deixei de gerenciar minha vida financeira e deleguei ao gerente do banco, porque ele dizia que podia fazer outro empréstimo e que eu tinha renda suficiente. Eu fazia uma ginástica financeira. Era 10 dias aqui no cheque especial, mais 10 dias ali”, conta Adorno.

Mesmo com um salário bem acima da média nacional, o antropólogo com doutorado e concursado da rede pública de ensino superior acumulou uma dívida de mais de R$ 600 mil, fruto de muitas ofertas de crédito fácil. Foi um empréstimo em cima do outro e prazos sempre mais longos, que acabaram aumentando exponencialmente os juros.

Esta pode não ser sua história, mas talvez seja a de algum conhecido. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), até 2018 já havia 30 milhões de brasileiros superendividados. São pessoas que já não conseguem ganhar dinheiro suficiente para pagar a dívida. Ela é maior que a renda.

“O superendividado não consegue pagar nem as contas básicas. Pra pagar o que deve aos bancos, deixa de pagar aluguel, água, luz. Ele está deixando de comer. Quando a dívida compromete a subsistência, a gente compreende que está superendividado”, afirma Ana Roberta Pires, especialista em defesa do consumidor do Procon-São Paulo.

Para quem está nessa situação, a vida financeira mais se parece um afogamento. É nadar, nadar e nunca chegar à praia. Sequer encostar os pés no chão para tomar fôlego e continuar.

Um ano de prestações depois, a dívida continua praticamente intacta. São os juros altos que dão essa impressão. Só no cheque especial a cobrança média é superior a 300% ao ano.

Aprenda SAIR DAS DÍVIDAS

Cinco habilidades indispensáveis de liderança necessárias para você aprender a gerenciar uma equipe com êxito e como se preparar para o sucesso a longo prazo.